Atalhos de Campo


22.5.14

Um café ? Dois.

       
  O primeiro bom pensamento do dia, um dia que tem tudo, ainda intacto, um pequeno sol este café, que me transporta para as antigas lojas de Lisboa, onde o café em grão se arrumava em lotes aromáticos até ao tecto, e que era moído na altura, e espalhava esse aroma inquieto, que aumenta o ritmo do coração, por ruas e vielas ensolaradas. 
   Perguntam-me, os meus amigos o que faço aqui, não conseguem imaginar uma citadina no meio do campo, sem horários nem correrias, e o cinema, e os espectáculos, e as exposições.O certo é que até hoje, um ano que era sabático, para fazer uma rectrospectiva da vida, já foi ultrapassado, e nunca me aborreci. Mais ainda, não tenho tempo a perder, nunca sei onde tenho o telefone, e deixei de usar relógio, porque o tempo agora é medido pelo sol.
    Cioran dizia que o tédio é precisamente um problema com o tempo que não passa, e isso nunca me aconteceu aqui.
    Viver no campo, pode ser uma opção de vida, pode ser conciliável com o que é imperdível numa grande cidade, que está a hora e meia da nossa porta. É tudo uma questão de valer a pena. 


   Iniciar o dia com um café, a olhar para o jardim, para a luz que invade tudo, sentir esse sabor breve. Repeti-lo de preferência enquanto planeio mentalmente as tarefas; pegar num livro, arrumar coisas daqui e dali, de chávena na mão.