Atalhos de Campo


9.5.14

Saber esperar

Parecia não acreditar nas sementes: como é que algo, em certos casos insignificante (mas que se obstinava em manter inscrito num exíguo espaço todo o futuro), poderia originar uma planta, ainda que frágil, ainda que incipiente (embora em projecto), com tudo para ser algum dia espantosamente harmoniosa? Deitara-se ao trabalho, sem acreditar. Preparara a terra, que esquecida de tais atenções lhe devolvia torrões e pedras, raízes e ervas daninhas, troçando, mal a sentia pelas costas. Misturara-lhe compostos que  disfarçavam aquele mau humor de secura e rugas fundas num rosto impenetrável. Regara-a de véspera para lhe estimular mais sede.
 
cravos do Poeta

E soubera esperar.