Atalhos de Campo


7.5.14

Os livros,os amigos e um cão

  Ao fim de um ano ainda estava inconsolável,agora com uma tristeza que se instalava sorrateira, à noite após o jantar
e de manhã cedo, quando a casa silenciosa lhe parecia ainda mais vazia, sem a presença pressentida do sono leve e vigilante daquele cão imponente e amigo.A falta do seu olhar sonolento, quando abria a porta da cozinha pela manhã, os sons de aprovação quando se preparavam ambas para sair, a fixação no passeio pelo jardim e o pequeno-almoço ao ar livre, que tornam os cães os grandes companheiros dos pequenos e saborosos hábitos dos donos, mas também dos dias difíceis, quando nada parece correr bem e lhes aparecem quebrando as regras impostas, seguros da sua sabedoria milenar, para lhes assentarem o focinho nos joelhos e lhes lamberem as mãos e as lágrimas.
  Ainda se  lembrava da expressão do pai, que após ouvir mais um desabafo, lhe citou Axel Munthe e a convenceu a arranjar outro cão.