Atalhos de Campo


21.5.14

Hora de almoço

« (...) É facto curioso o dos romancistas terem uma forma particular de nos fazer crer que os almoços se tornam invariavelmente memoráveis por qualquer dito mais espirituoso que se pronunciou, ou qualquer acto muito inteligente que se praticou. Contudo, raramente se referem ao que se comeu. Faz parte da convenção do romancista não mencionar a sopa, o salmão e o pato, como se a sopa, o salmão e o pato não tivessem importância, como se nunca ninguém fumasse um charuto ou bebesse um copo de vinho. Tomarei, no entanto, aqui a liberdade de desafiar essa convenção, e de vos dizer que nessa altura o almoço começou com linguados imersos num molho espesso e branco, preparados pelo cozinheiro da universidade.(...)»
Virginia Woolf/Um quarto que seja seu