Atalhos de Campo


14.5.14

Atalhos à chuva

A tarde escreve uma curva suave
Vou muito simplesmente com o vento
sem sequer conhecer que fujo de mim mesmo 
Atalhos à chuva

O trigo na campina amadurece
passeio no jardim a cena passa-se no espírito
digo-te adeus e digo adeus à minha juventude
Falo desses teus olhos matutinos
coroo-te de flores ó donzela
tão branca como a cera alta como a gazela
Tens no olhar o prestígio da guerra
voz velada de sol talvez luar
Quero um país que tenha a minha idade
Sinto ter em mim tempos sem fim
Chego ao termo de quanto pode amar um homem
Já não há uma pátria para mim

Ruy Belo/Enganos e desencontros
O Tempo das Suaves Raparigas
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