Atalhos de Campo


9.5.14

Ao fim da tarde

       
« E, todavia, eu sempre o soubera: sempre, sempre, me procurei debaixo de água, sempre, em cada Verão, mergulhei nesta luz e neste silêncio, apalpando com as mãos as rochas e as pedras, alisando o dorso dos peixes e a suavidade de veludo das algas e das anémonas, os meus olhos atentos e deslumbrados com cada coisa, o corpo habituando-se à consistência desta liquidez submersa. Sempre soube que debaixo de água me livrava de todos os males do mundo e emergia, novo e liberto, para as suas ciladas e os seus enganos.»
Miguel Sousa Tavares